Por que criar Mato Grosso do Sul? Por que criar Mato Grosso do Sul? A criação de Mato Grosso do Sul foi resultado de várias causas, surgidas ao longo do tempo. Vale observar que a lei complementar criou o Estado de Mato Grosso do Sul com o desmembramento do território de Mato Grosso. Em momento algum se falou em divisão. É que, de fato, o sul era uma realidade autônoma. Daí a criação, ou seja, o reconhecimento de direito. Dualidade histórica Mato Grosso uno esteve, ao longo do tempo, dividido de fato em duas regiões: norte e sul. Esta diferença se nota na topografia e no clima: aqui planícies propícias à criação de gado, com clima confortável; lá, a bacia amazônica, enormes vazios, com clima próprio. O norte foi inicialmente povoado por aventureiros em busca de ouro e diamantes; no sul, o homem se fixou com a atividade pecuária. O sul estava ligado a São Paulo e ao Paraná; o norte, a Goiás e à Amazônia. Bipolaridade administrativa A dualidade também se observava na administração. O Estado de Mato Grosso uno foi bipolar, principalmente a partir de 1932, por ocasião da Revolução Constitucionalista. Bipolar porque tinha, na prática, duas cidades como sedes de governo: Cuiabá e Campo Grande. Quase todos os órgãos governamentais tinham uma regional em cada cidade. Bipolaridade política Com o retorno do país à democracia, com a queda de Getúlio Vargas, em 1945, Mato Grosso passou a ter seus candidatos a postos eletivos escolhidos entre norte e sul. Se o candidato a governador era do norte, o vice era do sul e vice-versa. Pedro Pedrossian (do sul) tinha como vice Lenine de Campos Póvoas (do norte). Esta distribuição equânime também se observava nas candidaturas a senador e deputado. Bipolaridade cultural No tempo da criação do Estado, o norte (centrado em Cuiabá) tinha uma tradição cultural mais sólida, mais homogênea, um número significativo de destaques na história, nas letras, nas artes e nas ciências, ao lado de escolas tradicionalmente competentes, com um povo que começava a preservar sua história. O sul já não apresentava tais condições: povoado recentemente, seus habitantes, voltados para a produção agropecuária, pouco se preocupavam com as manifestações culturais, misturando-se, na região, as mais diversas culturas, destacando-se a paraguaia, o sul-rio-grandense e a japonesa. Razões estratégicas Na década de 70, o mundo se viu ameaçado por uma crise de alimentos. Para preparar-se, o governo federal considerava o desmembramento de Mato Grosso e a conseqüente criação de Mato Grosso do Sul o meio mais adequado para acelerar o desenvolvimento econômico e social de ambos os Estados: o sul, com excelentes condições para tornar-se grande produtor de grãos e de carne; o norte, com condições para o rápido povoamento e ocupação de extensos vazios. Partilha No desmembramento, Mato Grosso ficou com 38 municípios, com uma população estimada (1977) de 900.000 habitantes, numa área de 903.000 km²; Mato Grosso do Sul abrangia 55 municípios, com uma população de 1.400.000 habitantes, em 357.000 km². Expectativa As análises, na época de criação do Estado, apontavam um crescimento significativo, prevendo-se, para o Estado, na virada do século, três milhões de habitantes (virou com 2.075.000); e para Campo Grande, um milhão de habitantes (virou com 700.000). Proporcionalmente, Mato Grosso cresceu muito mais: em 2000 já estava com 2.500.000 habitantes.
Autor: H. Campestrini () |