As derrotas do Sertanejo Derrotas. Por derrotas entendiam-se, no começo do século 19, as viagens de exploração de territórios desconhecidos ou dos quais fossem necessárias mais informações. O Sertanejo, apelido de Joaquim Francisco Lopes (irmão mais velho do Guia Lopes da Laguna), fez várias expedições exploratórias no sul de Mato Grosso na primeira metade do século 19, daí derrotas. Importância. Todo estudo sobre Mato Grosso do Sul torna obrigatória a consulta às derrotas do Sertanejo, que, por fazê-las por determinação do poder público ou a serviço do Barão de Antonina, influente senador do Império, as registrava em relatórios, hoje riquíssima fonte de informações daquela época. Primeira derrota. A primeira exploração, a partir de 1829, foi no sertão de Santana do Paranaíba. Em 1836, recebeu do governo provincial a incumbência de abrir um caminho de Paranaíba a Miranda e, no ano seguinte, de transpor o rio Paraná no lugar que julgasse mais conveniente, começando uma picada por onde pudesse passar um cargueiro, até à vila de Piracicaba. Em 1837, Lopes locou, na barra do córrego Água Limpa, o porto; iniciou a picada, concluída no final do ano seguinte, trabalho que lhe valeu duzentos mil réis em moeda e cem cabeças de gado, pagos pelo governo. Segunda derrota. A segunda exploração, compreendendo várias entradas, tinha por objetivo (como queriam o barão de Antonina, senador do Império, e o governo imperial) abrir uma comunicação fluvial do Paraná até o baixo Paraguai. Assim, em 1847, Lopes e comitiva entraram pelo rio Ivinhema e chegaram a Albuquerque, anotando o percurso, com detalhes riquíssimos, principalmente os referentes aos primeiros povoadores e aos índios. Terceira derrota. A terceira exploração, em 1848-49, seguiu o mesmo itinerário da anterior, definindo o varadouro de Nioaque. Esta, sem dúvida, embora nada transpareça nas anotações, teve também o intuito de conhecer e adquirir terras para o barão de Antonina, que desejava expandir seus latifúndios com áreas no sul de Mato Grosso. Quarta derrota. A quarta exploração, em 1857, teve como escopo o reconhecimento principalmente dos rios Amambaí e Iguatemi e seus afluentes. Neste relatório, além das informações pertinentes aos rios e às potencialidades da região, há informações valiosas sobre os índios caiuás, que ocupavam toda a área compreendida entre os rios Ivinhema e Iguatemi. Acrescente-se, ainda, que essa expedição reconheceu as ruínas do antigo Forte dos Prazeres, no alto rio Iguatemi, destruído pelos espanhóis em 1777. Outros trabalhos. Entre 1850 e 1853, o Sertanejo estivera, segundo historiadores, auxiliando o major Gomes na abertura do varadouro de Nioaque e da estrada de Nioaque a Miranda. Depois da quarta derrota, a do Iguatemi, Joaquim Francisco Lopes voltou ao Paraná, sempre a serviço do barão. Aí trabalhou junto aos índios, chegando a ser diretor da Colônia Indígena de São Jerônimo, onde faleceu em 1868. Notícia. Notícia publicada na Revista do IHGB (1888, p. 95): João Francisco Lopes foi o sertanejo, que no tempo do finado barão de Antonina abriu, acompanhado do engenheiro João Henrique Elliot, este sertão (do Paraná), e fez a exploração de todo este terreno até Mato Grosso. Prestou, durante a vida, relevantes serviços à pátria. Vivia ultimamente entregue aos seus minguados recursos e esquecido de todos, morrendo em extrema pobreza. Nasceu a 7 de setembro de 1805. Era filho de Piumhi em Minas Gerais.. Publicação. Os textos das derrotas não estavam ao alcance do pesquisador. Assim, o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul localizou as publicações originais (o da quarta derrota, ainda no original manuscrito) e, após organizá-los, publicou-os na Biblioteca eletrônica em sua página (www.ihgms.com.br), à disposição do público.
Autor: H. Campestrini () |