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26/02/2009  14:35 - Parecer sobre a Avenida Afonso Pena
 

A Comissão do Patrimônio Histórico do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul emitiu parecer, a pedido do Ministério Público Estadual, sobre o caráter histórico da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. A seguir o inteiro teor do parecer:

   Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul
   Comissão de Patrimônio Histórico

   Parecer sobre a Importância Histórico-Cultural e Paisagística
   da Avenida Afonso Pena em Campo Grande Mato Grosso do Sul.

   Em atendimento a solicitação da 26.ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Campo Grande sobre a importância histórico-cultural e paisagística do canteiro central de Avenida Afonso Pena, a Comissão de Patrimônio Histórico do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul tece as seguintes considerações:
   1 – A Avenida Afonso Pena é um marco original do processo de urbanização de Campo Grande, iniciado com a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Bra-sil.
   2 – A implantação da ferrovia previa que todas as cidades tivessem um planejamento. Com esse foco a Intendência Municipal solicitou aos engenheiros militares, em1909, um Plano de Alinhamento das Ruas e Praças de Campo Grande. Esse plano expressava em seu arcabouço as preocupações com as questões da salubridade. Ele estabelecia que às vias públicas fossem orientadas segundo os eixos cardeais e tinham as seguintes medidas de largura: 20m, 22m, 25m, 50m para as vias ori-entadas no eixo leste-oeste (eixo de passagem dos ventos dominantes).
   3 – A Avenida Afonso Pena tem 50m de largura, com um canteiro central arborizado e ajardinado. Na década de vinte, na gestão de Arlindo de Andrade, foram plantados os fícus e os ingazeiros. Posteriormente os demais canteiros foram sendo arborizados e ajardinados. Nesses canteiros foram plantadas espécies nativas do cerrado e exóticas.
   4 – Hoje a arborização dos canteiros da Afonso Pena não apenas embeleza a avenida, mas exerce junto com as demais vegetações das praças Newton Cavalcan-te, da Ari Coelho, da República, o Parque Águas do Prosa e o Parque das Nações Indígenas importante função para a saúde dos campo-grandenses e ainda contribui para a melhoria do clima na cidade. E o mais importante: as espécies ali plantadas são documentos vivos que contam a história da evolução do planejamento urbano e paisagístico da cidade.
   5 – A redução do canteiro visando ampliação da pista asfaltada gera dois efei-tos nocivos aos homens, primeiro que reduz a área ocupada pela vegetação, reduzindo do mesmo modo a potencialidade em absorver a radiação solar e reduzir o calor urbano. Por outro lado, o aumento da pista com asfalto amplia a extensão de uma superfície muito abrasiva e que gera muito calor.
   6 – A Avenida Afonso Pena além de interligar as praças e os parques, ela na sua longa extensão desde o bairro Amambaí até o início do Parque do Prosa abriga importantes marcos da História recente e antiga da cidade.
   7 – Ali estão localizados hotéis, o Círculo Militar, a Igreja Perpétuo Socorro uma das mais antigas da cidade. No centro a Morada dos Baís, Casa do Artesão que outrora foi primeira sede do Banco do Brasil, a Praça Ari Coelho, o prédio da antiga sede da 9.ª Região Militar, Escola Estadual Joaquim Murtinho a mais antiga das escolas estaduais na cidade. Na esquina com a Rua Pedro Celestino a Praça da Repú-blica, em seguida o Obelisco que homenageia os fundadores da cidade, o Paço Municipal, o Parque Águas do Prosa em frente ao shopping e o Parque das Nações Indígenas e o início do Parque do Prosa onde se localiza o centro administrativo do governo estadual.
   8 – Além destes marcos há importantes estabelecimentos comerciais e de serviços, condomínios residenciais de alto padrão.
    9 – Ao longo da história de Campo Grande, os canteiros da Afonso Pena têm sido espaço para as mais diversas manifestações cívicas e culturais.
   10 – Assim os campo-grandenses no seu cotidiano vivem os acontecimentos que envolvem essa avenida, para alguns ela é um lugar de passagem, um palco para assistir shows nos altos da Afonso Pena ou na Praça da República ou na Praça Ari Coelho, ou fazendo caminhadas nos seus canteiros. Para outros ela é um lugar de maior permanência como os moradores das residências, para os trabalhadores das diversas atividades profissionais que exercem suas funções em empresas e órgãos públicos onde passam várias horas do dia. Todos esses campo-grandenses são ato-res sociais e seus atos permitem a interação com a Avenida Afonso Pena e nessa reciprocidade de ações é construída a identidade campo-grandense.
   11 – Pelas razões apontadas neste documento a Avenida Afonso Pena é um patrimônio histórico-cultural e paisagístico.

   Parecer final
   A Comissão de Patrimônio Histórico do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul conclui que a Avenida Afonso Pena e toda a extensão dos seus canteiros é patrimônio histórico-cultural e paisagístico de Campo Grande, por ser um marco original do processo de urbanização de Campo Grande. Sua vegetação não é apenas um ornamento, mas ela contribui para o equilíbrio do clima no meio urbano e ainda, essa vegetação contém espécies nativas do cerrado e exóticas são documentos vivos que contam a história da evolução do planejamento urbano e paisagístico da cidade.

   Campo Grande, 10 de fevereiro de 2009.

   Idara N. Duncan Rodrigues
   Presidente da Comissão

   Alisolete Antônia dos Santos Weingartner
   Relatora
   

 
 
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